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Talabarte com Absorvedor de Energia: a Nova Exigência da NR-35

Absorvedor de energia em detalhe macro

Desde 1º de janeiro de 2026, o talabarte usado para retenção de queda precisa ter absorvedor de energia integrado. A regra está no item 35.6.9.1.1 da NR-35, com redação dada pela Portaria MTE nº 1.680/2025, e existe por um motivo objetivo: limitar a força de impacto transmitida ao corpo do trabalhador a 6 kN.

Na prática, o talabarte simples deixou de ser aceito para reter uma queda. Ele continua tendo uso legítimo, mas restrito a posicionamento e restrição de movimentação, onde não existe possibilidade de queda livre. Entender essa diferença é o que separa um conjunto de EPI em conformidade de um passivo caro.

O que diz o item 35.6.9.1.1 da NR-35

O texto determina que, se o elemento de ligação utilizado para retenção de quedas for um talabarte, este deve ser um talabarte integrado com absorvedor de energia.

Duas palavras importam nessa frase. A primeira é retenção: a regra vale para o sistema que vai frear uma queda que já aconteceu. A segunda é integrado: o absorvedor precisa ser parte do talabarte, não um acessório improvisado ou acoplado em campo por conta própria.

Função do sistemaExiste queda livre?Talabarte exigido
Retenção de quedaSimCom absorvedor de energia integrado
Posicionamento no trabalhoNão, o trabalhador fica apoiado e tensionadoTalabarte de posicionamento, sem absorvedor
Restrição de movimentaçãoNão, o sistema impede alcançar a bordaTalabarte de restrição, sem absorvedor

Por que 6 kN é o limite de força de impacto no corpo

Uma queda de dois metros parece pouco. O problema não é a altura, é a desaceleração. Quando o sistema freia o corpo de forma abrupta, a energia cinética acumulada precisa ir para algum lugar, e sem um dissipador ela vai para a coluna vertebral, para a caixa torácica e para os órgãos internos.

O patamar de 6 kN, aproximadamente 600 kgf, é o limite aceito internacionalmente como suportável pelo corpo humano quando a carga é distribuída por um cinturão paraquedista corretamente ajustado. Um talabarte simples de fita, sem absorvedor, pode gerar picos bem acima disso numa queda com fator 2, que é aquela em que o trabalhador está ancorado abaixo do nível dos pés.

Vale registrar o efeito colateral: a força que chega ao corpo é a mesma que chega à estrutura de ancoragem. Limitar o impacto a 6 kN protege o trabalhador e reduz a solicitação sobre o ponto de ancoragem e sobre a estrutura que o suporta.

Fator de queda e força de impacto

Como funciona o absorvedor de energia

O princípio é o rasgamento controlado. O absorvedor é uma fita costurada de forma programada, alojada numa capa protetora. Quando a força ultrapassa um valor de acionamento, as costuras começam a se romper de maneira progressiva.

Esse rompimento alonga o tempo de frenagem. Como a força é a variação da quantidade de movimento dividida pelo tempo, esticar o tempo derruba o pico de força. É o mesmo princípio da zona de deformação programada de um automóvel.

O detalhe que muda o projeto: ao acionar, o absorvedor alonga o sistema. Esse alongamento entra no cálculo da folga livre de queda, junto com o comprimento do talabarte, a altura do trabalhador e uma margem de segurança. Ignorar isso é o caminho mais curto para o trabalhador tocar o piso mesmo com todo o EPI conectado corretamente.

Regra prática de campo: se a distância entre o ponto de ancoragem e o obstáculo abaixo for pequena, talabarte com absorvedor pode não ser a solução adequada. Nesses casos, o trava-quedas retrátil, que trava em fração de segundo e exige menos folga, costuma ser a escolha correta.

Absorvedor padrão ou em inox: onde usar cada um

A escolha do material não é preciosismo. Ela responde ao ambiente onde o equipamento vive.

CritérioAbsorvedor padrãoAbsorvedor em inox
AmbienteIndústria seca, construção civil, manutenção geralAmbiente agressivo, maresia, química, alimentício, saneamento
Resistência à corrosãoAdequada com inspeção e guarda corretasAlta, indicada onde há umidade constante ou agentes químicos
Higienização frequenteNão recomendadaSuporta rotina de limpeza e sanitização
Custo inicialMenorMaior, compensado pela vida útil em ambiente agressivo
Quando usarUso interno, exposição controladaLitoral, plataformas, estações de tratamento, frigoríficos

Em ambientes com maresia ou vapores ácidos, o componente metálico do conjunto é quase sempre o primeiro a falhar. O inox se paga na segunda ou terceira substituição evitada.

Inspeção: 6 sinais de que o absorvedor deve ser descartado

A inspeção pré-uso é responsabilidade do próprio trabalhador e leva menos de um minuto. Descarte o equipamento diante de qualquer um destes sinais:

  1. Indicador de acionamento exposto. Se a capa está rompida e a fita interna aparece rasgada, o absorvedor já trabalhou. Não há recuperação.
  2. Costuras rompidas, puídas ou desalinhadas, mesmo que parcialmente.
  3. Corte, furo ou desfiamento em qualquer ponto da fita ou da capa.
  4. Queimadura, marca de solda, respingo de material quente ou rigidez localizada por calor.
  5. Contato com produto químico de natureza desconhecida, mancha ou alteração de cor e textura.
  6. Etiqueta ilegível ou ausente, impedindo identificar CA, lote e data de fabricação.

A regra que resume todas: equipamento que participou de uma queda real está descartado, mesmo que pareça íntegro. O absorvedor é um componente de uso único por definição.

Erros comuns na montagem do conjunto

  • Conectar o talabarte na argola frontal do cinturão para retenção de queda. A retenção usa a argola dorsal. As frontais e laterais servem a posicionamento e resgate.
  • Ancorar abaixo da linha da cintura sem recalcular a folga livre. Isso eleva o fator de queda e pode estourar o limite de 6 kN mesmo com absorvedor.
  • Usar as duas pernas de um talabarte Y ancoradas ao mesmo tempo em pontos diferentes. O talabarte duplo existe para permitir deslocamento sem desconexão, não para dobrar a ancoragem.
  • Dar nó ou passar a fita em torno de estrutura cortante para improvisar ancoragem. Fita não é corda, e aresta viva corta sob carga.
  • Guardar o equipamento no fundo da caixa de ferramentas, junto com óleo, solvente e peça metálica.

Perguntas frequentes

Todo talabarte precisa de absorvedor de energia?

Não. A exigência vale para o talabarte usado em retenção de queda, situação em que existe possibilidade de queda livre. Talabartes de posicionamento e de restrição de movimentação, em que o sistema mantém o trabalhador apoiado ou impede que ele alcance a borda, não se enquadram nessa regra.

Qual a força máxima de impacto permitida na NR-35?

O limite de referência é de 6 kN transmitidos ao trabalhador durante a retenção da queda. É esse valor que o absorvedor de energia existe para garantir.

Posso usar absorvedor de energia depois de uma queda?

Não. O absorvedor funciona por rasgamento controlado e é de uso único. Uma vez acionado, ele já dissipou a energia para a qual foi projetado e deve ser descartado, junto com a avaliação de todo o restante do sistema envolvido no evento.

Qual a diferença entre talabarte de posicionamento e de retenção?

O de posicionamento mantém o trabalhador apoiado e tensionado contra a estrutura, sem possibilidade de queda livre. O de retenção atua depois que a queda começou, freando o corpo, e por isso precisa do absorvedor de energia integrado.

Absorvedor de energia tem validade?

O fabricante indica uma vida útil máxima a partir da data de fabricação, que deve ser respeitada mesmo sem uso. Além disso, o equipamento sai de operação a qualquer momento em que a inspeção identificar um dos critérios de descarte, e obrigatoriamente após participar de uma queda.

Quando escolher absorvedor de energia em inox?

Sempre que o ambiente for agressivo aos metais: orla marítima, indústria química, estações de tratamento de água e esgoto, frigoríficos e áreas com higienização frequente. O custo adicional se justifica pela vida útil e pela redução do risco de falha por corrosão.

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